Lampejos nas férias ou Rápidas Reflexões Interrompidas por Banhos de Mar I

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Pequenos pensamentos, impressões e reflexões que anotei no meu caderno, nos 10 dias de férias que me foram concedidos.

- Sobre uma velha senhora que passava pela rodoviária

“Ela tinha cara de alguém que cuspiria no morto de um velório e, logo depois, amaldiçoaria toda a família do falecido. Faria isso duas vezes por semana, sem nunca conhecer o indivíduo que repousava no caixão.

Uma carranca nada agradável, sem dúvida”

- Sobre um ruído do ônibus que não me deixava dormir

“Barulhos são difíceis de se descrever no papel. Tentar explicar um é difícil, ainda mais esse. O que eu ouvia no ônibus era como se a linha vacilante de um daqueles monitores cardíacos de repente se tornasse tão fina quanto uma agulha e, logo em seguida, espetasse meus ouvidos de leve.”

- Divagando sobre o ruído que tocava em uma espécie de padrão

“Acho que era vingança da responsável pela limpeza do banheiro do ônibus. Cada vez que alguém trancasse a porta da pequenas saleta no fundo do veículo, um letreiro acendia e o ruído iniciava, lembrando a todos o quão torturante deveria ser limpar as paredes atingidas por um jato de urina, desgovernado pela estrada esburacada”

- Refletindo sobre a vingança das faxineiras

“Na minha opinião não é uma tática lá muito inteligente, já que o ruído deixava todos acordados e paranóicos – assim como eu. Conseqüentemente mais propensos a ir ao banheiro, sujando-o ainda mais. Mas…enfim. Quem sou eu para discutir táticas de torturas esquematizadas pelas responsáveis da limpeza?”

CONTINUA…

2 comments Fevereiro 12, 2008

Tornozelos

Tornozelo

- Zé! Olha, Zé! Tá chegando alí na curva, Zé!
- Ai, ai, vai, pelamordedeus! Senhor! Tá vindo!
- Shiu, Zé! Shiu! Se abaixa aí.
- É emoção demais, Jesus. Olha, tá quase, tá quase!
- Calma, homem. Não morre enquanto ela não descer. A última coisa que eu quero é me incomodar com defunto nessa hora.
- Calma, isso. Uf-uf-uf. Respira, Zé… Um, dois, trêsiameudeusPAROU!
- Shiu, abaixa, abaixa!

Calmamente, o cocheiro da carruagem fechada, que vinha devagar pela estrada, segurou o freio, parando os cavalos. Saltou do banco, dirigindo-se à porta do transporte e a abriu, cheio de reverência.

Descuidada, a jovem moça, trajando um branco vestido longo, saiu do interior precipitada e pulou os degraus, descobrindo seus tornozelos.

Zé e Jorge acompanhavam em êxtase. Ela fez de novo. Aquele tornozelo se desnudou novamente.

- Zé. Tu viu?
- Vi, Jorge. Ai meudeus.
- Espera então quando criarem a Internet!

3 comments Agosto 7, 2007

Sem Computador, Com Vonnegut

Poisé. Fiquei uma semana sem computador em casa. Foi uma maravilha. Tu não percebe que computador é um algoz do teu cérebro – e, em conseqüencia, da tua criatividade, memória e atenção – até que ele tenha um daqueles faniquitos repentinos que só são resolvidos na assistência técnica.

Então. Uma maravilha. Em dois dias daquela semana, fui na biblioteca mais vezes que havia ido nos últimos seis, sete meses. Encontrei uns livros do Kurt Vonnegut, o injustiçado Vonne. Digo injustiçado porquê, dos dois livros que retirei lá, um havia sido alugado pela última vez em 1989 e o outro em 1993. Tu saca quando tempo é isso? Um daqueles livros ficou a minha vida inteira sem ser retirado das pratelerias ao menos uma vez, caraca. Ficou lá, jogado, se sentindo um inútil. Cheio de potencial, mas inútil. E sentindo com razão, pois ambos eram livros maravilhosos, com o selo de qualidade Vonnegutiana.

Pastelão ou Solitário, Nunca Mais é um romance, onde ele conta a história da infância dele e da irmã, sob um ponto de vista fantasioso. O cenário é Manhattan no futuro, devastada por uma doença chamada Morte Verde, que dizimou a população mundial. Assim como em todos os livros desse gênero, Vonne se direciona totalmente pra ficção científica e para relato de fatos totalmente non-sense (e bizarros, por vezes), mas que sempre carregam consigo diversos significados. Significados esses, que depois de compreendidos, chocam e evidenciam toda a genialidade do ex-melhor escritor vivo da América.

O outro era Mundo Louco ou Welcome to Monkey House, coletânea de contos, igualmente bizarros e inusitados. Começa em um futuro onde as pessoas são proibidas de raciocinar por muito tempo, passa por um xadrez que vale a vida de vários prisioneiros e chega até um futuro onde a fonte da juventude faz com que o mundo fique superlotado, pois ninguém mais quer morrer. Aqui, Vonne revela uma mistura de L. F. Verissimo e Douglas Adams na sua escrita. Ou seja, cerveja total e estupidamente fora de série.

Meu conselho pra quem quer ler Vonnegut? Leia com a mente aberta e pronto pra pensar. Se não, certamente tu vai achar tudo uma grande besteira sem fundamento, um mero texto de ficção-cinetífica debilóide sem nenhum significado. O que é uma grande e horrenda e filha da puta heresia, oquei?

Filha da puta mesmo, benhê.

1 comment Agosto 4, 2007

Noite

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Tirou os dois pés do chão e sentiu o ar, mesmo que por um período curto. Queria mais e subiu em um banco. Tirou os dois pés do banco e sentiu o ar novamente, dessa vez por um tempo sensivelmente maior e mais agradável. Olhou para os dois lados pausadamente, e em um retardado impulso (que seria extremamente cômico para algum vacilante, perdido na noite, ver) atirou-se na direção da arvore retorcida à sua frente.

Segurou-se entre suas fissuras/feridas da planta (geradas pela maldita asfixia do asfalto quente) e girou, lembrando Genny Kelly no seu poste de luz.

Grande Genny. Grande Noite. Grande coreografia.

Sorriu.

E foi buscar um banco mais alto.

1 comment Julho 22, 2007

Cães, discursos e momentos

Tem gente que diz por aí que o melhor amigo do homem é o cachorro. Sabe, eu discordo dessa afirmativa e aposto na nossa criatividade como correta detentora desse título. Tudo bem que a mesma não abana o rabo quando está serelepe ou busca bolas de borracha atiradas a esmo por aí. Contudo, um cachorro nunca teria me ajudado criar um discurso relâmpago de formatura, segundos antes de eu me colocar de fronte ao microfone. Ah não ser, é claro, que ele o latisse de forma compreensível para mim, o que seria algo extremamente interessante de se acontecer em uma formatura de ensino médio e que certamente me tiraria do posto de orador da turma, para colocar o tal cão prodígio no meu lugar.

Enfim.

Eu realmente não sabia o que escrever no texto que encerraria a jornada letiva de todos os formandos no São João Batista, do ano de 2006. Não tinha a vaga idéia de como e por onde começar. Alguns lampejos ao conversar com professores, colegas mais próximos e com os cães que viviam no pátio apareceram, mas nada de concreto, nada de significativo, nada que justificasse todos aqueles três ótimos anos que passei na escola. Apenas alguns pensamentos fragmentados e um papel em branco – para fingir que eu portava algo preparado – era o que eu tinha até a Criatividade entrar heroicamente em ação no momento crítico.

E Ela veio com a frase pronta pra mim, de uma personagem de Kurt Vonnegut, que dizia mais ou menos o seguinte: “Se isso não é bom, o que é bom então?”. Nos segundos que subi a escada e essa frase surgiu, não entendi bem o que ela queria dizer. Entretanto, ao encarar lá de cima do palco os rostos dos meus amigos, colegas, professores e de todos mais que participaram dos momentos que eu vivi na escola, foi fácil de entendê-la.

Momentos. Essa é a palavra! É natural pensar que só devemos valorizar os grandes momentos, os ótimos momentos, os momentos que marcaram a história de forma retumbante. Nunca fiz nada de retumbante na história da escola e nem ela fez o mesmo por mim. Contudo, depois daquela frase, percebi que cada dia meu no São João foi, por bem ou por mal, um dia bom. Cada aula com um professor que eu gostava ou não, cada risada ou discussão que tive com alguém, cada matéria que eu aprendi ou tive dificuldade de assimilar, cada pessoa que aprendi a conviver e respeitar. Pequenos momentos. “Se isso não é bom, o que é bom então?”

Amo cada pedaço daquela escola, assim como amo todas as casas que já morei e me mudei ao longo da minha breve vida. Amo até mesmo aqueles cachorros que estavam sempre lá, mesmo nenhum deles tendo me latido um discurso pronto de formatura.

Bruno Lorenz

6 comments Abril 27, 2007

Luto…

Tchau, Vonne.

São coisas da vida.

1 comment Abril 12, 2007

Nostalgia

Hoje era um dia para colocar umas meias, fazer um Nescau e passar o resto do dia sentado na frente da Tv, comendo bolacha Maria.

Aí, lá pelas seis horas da tarde, com o sol caindo, você olha pro céu, pensa “Dia inútil…” e vai pro quarto, escutar música debaixo das cobertas.

Alguém quer trocar um mês de dias inúteis por um mês de salário?

4 comments Abril 10, 2007

Resenha – Vivid, Living Colour

No final da década de 80, a coisa não estava lá muito organizada no mundo do rock. O Hard e o Glam estouravam e bandas como Guns n’Roses, Poison e Bon Jovi faziam o som do momento regado de plumas, roupas brilhantes, calções de ciclista socados do rêgo, drogas, muito sexo com groupies e trejeitos extremamente frescos. Enfim, não que o Rock algum dia foi civilizado, mas aquela história já estava indo longe demais.

Eis que surge então, vindos do suburbio de Nova York, um quarteto que misturava o próprio Hard Rock com Heavy Metal, Reggae, Hip Hop, Rap, Funk, Jazz e algumas cirandas infantis. Um quarteto que possuia instrumentistas extremamente habilidosos, com uma bateria ténica pra chuchu, um baixo muito presente, uma guitarra vorazmente rápida e um vocalista que mostrava todo o poder e a força de um vozerio negro. (mais…)

1 comment Março 22, 2007

Palavras chave

Apesar de não aparecer muito por aqui e de não tratar esse blog com o devido carinho, ele me faz dar muitas gargalhadas. Só espia com que palavras digitadas na procura do Google as pessoas acham meu blog.

1 comment Março 20, 2007

Tirinha da Semana – 02

Me empolguei, sabe.

Clicaí no banner, pra ver outra tirinha, em “limited special color edition”.

3 comments Março 15, 2007

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