Archive for Dezembro, 2005

// Pós-Morten [11º Concurso Maldito]

Sentiu estar deitado no nada. Tudo escuro. Achou que devia abrir os olhos. Quando o fez, tudo ainda continuava escuro. “Porvas! Deu certo!”, pensou João. Ele havia morrido.

João passou sua vida toda pensando em pós vida. Já no berçário, tirou a chupeta de um dos bebês maiores, pra puxar briga e partir dessa duma vez. Quando o fez, a criança chorou, a enfermeira apareceu e seu pai deu uma risadinha. “Aquele alí é o meu filho, ó! Galo véio o piá”, disse orgulhoso, apontando para o guri.

Quanto mais crescia, mais pensava no que existe depois da morte. Morar no céu, dormir em nuvens de algodão doce, cair no caldeirão do Diabo, saber tudo. Descartou a idéia de que viramos estrelas logo de cara. “Não teria graça ficar parado brilhando lá em cima”. João não tinha muitos amigos, e os poucos que tinham, achavam-no estranho. João não lia nada. Não assistia nada. Não sorria, não gargalhava, não abraçava. Mal sabia o que era tomar banho de riacho ou andar de bicicleta no meio da rua em madrugadas.

Achava que não valia a pena. “Não vou precisar disso depois”, repetia. Só pensava naquilo.

Só pensava em morrer de uma vez e ir pra um lugar melhor. Fugir de toda aquela bobagem sem sentido.

Ocupava seus dias em tentativas para falecer. Todas furadas. Quando colocava a cabeça dentro do forno com o gás ligado, a campainha tocava e ele ia atender. “Podia ser algum assassino precisando de trabalho, oras!”. Quando pegava uma faca pra cortar os pulsos, cortava a pulseira do relógio, que caia no chão, despertava, João escorregava nele e batia a cabeça na quina da pia. Acordava seis horas depois, deitado em cima da cama, com um bilhetinho da empregada no bidê. “Biscoitos na pia. Levei o cachorro pro veterinário. Acho que vai ser difícil tirar a faca do rabo dele”.

Outra vez, numa dessas praias apinhadas de gente, se tocou pro fundo do mar para se afogar, perdeu a sunga, gritou e agitou os braços procurando a dita cuja, chamou – sem querer – a atenção do salva-vidas e foi trazido pra praia nu, recebendo um boca-a-boca pra reanimar.

Ironicamente, o destino trouxe a companheira da foice – que não tinha mais foice, mas sim um canivete de um-e-noventa-e-nove, devido a inflação – à casa de João. Sua morte foi bem rápida, contudo, muito longa para se contar aqui. Só antecipo que envolveu um relho, três pastilhas de lava-louça, um leopardo negro das neves, metade do contingente da brigada, um carrinho de brinquedo, a empregada, e um cachorro sem rabo.

Deitado ali, os olhos de João acostumaram-se a escuridão e ele pode ver uma silhueta baixinha, gorda, com óculos sem armação e um sorriso de bom velhinho. “Deve ser ele! Finalmente vou descobrir todos os segredos da vida”, concluiu esperançoso. Nisso, uma voz retumbante vibrou naquele vácuo infinito.

- João. Vem pra cá duma vez. Precisamos conversar.

João então, pos-se a caminhar na direção do baixinho. Passo após passo. Finalmente estava livre. Saberia de tudo. Viveria a eternidade em um lugar diferente. Em algo espetacular. Inimaginável para quem ainda vive as ilusões na Terra. Chegou perto do provável dono da voz retumbante, que desafiava as leis da física e se propagava no vácuo. “Geroge Lucas já deve ter batido um papo quesse cara”.

Quando chegou perto do serzinho, teve uma surpresa muito grande. Ele tinha a cara de um humano. Estava engravatado, segurando um microfone. Passava a imagem de ser um daqueles papais-noéis de shopping, contratados em finais de ano. “São as regras, são as regras”, pensou, como se já fosse da casa. Lascou uma pergunta direta.

- O senhor é Deus? Isso aqui é o Céu? O senhor sabe tudo?

O baixinho foi igualmente direto. A voz retumbante retumbou de novo.

- Não, trabalho para ele. Não, falta uma fase ainda pra você chegar lá. Sim, por isso coordeno esse jogo, a entrada e a saída do paraíso.

- Jogo? Como assim?

- Testar seus conhecimentos. Não queremos antas no paraíso. Precisamos de gente inteligente e que saibam das coisas da vida pra fazer as coisas funcionarem. Deus é onipresente e onisciente, mas não tem quatro mãos. Uma pergunta. Uma resposta. Os portões se abrem.

Uns anjinhos aparecem do nada e tocam trombetas nesse momento. Fazem isso e somem.

- Tá, manda.

- Certo, vamos lá. Qual é a sensação de andar de bicicleta, no meio da rua, de madrugada?

O questionado pensou. Pensou. Devolveu com outra pergunta.

- Se eu entrar, vou saber todos os segredos da vida?

- Os segredos da vida só são descobertos por quem a vive – respondeu o baixinho, falando com o microfone desligado dessa vez.

João está lá até hoje. Esperando alguém que tenha andado de bicicleta na madrugada levantar as placas.

Add comment Dezembro 28, 2005

//Teddy e o Natal

Sim! É Natal [é Natal, limpa com jornal...]! Mas como aqui no Nothingness todos já entregaram seus presentes natalinos e aqueles odiosos de amigo secreto já no dia 24 [costume brasileiro de sempre querer tudo antes], teremos uma programação diferenciada por aqui.

Nada de discursos inflamados contra a burguesia, pobreza, perda do espírito de Natal, amor nos corações e frutas cristalizadas [blergh!] no panetone. Essa coisa já cansou e todo mundo sabe que quem tem dinheiro, compra presente e, quem não tem, se junta com algum vizinho ou família de namorada pra festejar alguma coisa.

O que venho até vós falar nessa data tão especial, é sobre um novo símbolo que descobri olhando o dvd do The Cure que ganhei da minha namorada ontem, na festa da família dela. Não, não é aquele ser que todos os anos senta nos shopping e assusta as criancinhas, ou com um bafo horrível, ou com a sua barba falsa que cai de 5 em 5 minutos.

É essa criatura aí abaixo mostrada na imagem, com uma guitarra na mão:

Não sei exatamente o nome dele [nos créditos pelo menos não ví], mas logo que assiti pela primeira vez o clip de Just Say Yes, notei a capacidade artística e o seu enorme potencial de se tornar um dos novos símbolos natalinos [substituindo aquele velho bêbado de vermelho] e, em planos futuros, ser o mascote aqui do Nothingness.

Suas qualidades são infinitas e todos ficariam felizes com essa novidade. Acompanhe nos tópicos:

  • É um animal: todos gostam de animais. Da criança babona ao velho também babão. Quem não gosta e tentasse o chutar, logo seria abatido por alguns sopapos, pois ele também…
  • Luta Kung Fu: soube disso por fontes anonimas, que gravaram o clip com ele e tentaram espancá-lo. O clip atrasou 19 dias em decorrência de alguns tabefes meio fortes.
  • Ele é negro: todos esses símbolos de Natal, Páscoa e Dia da Libertação dos Escravos são brancos. Papai Noel, Coelinho da Páscoa e a Pricesa Isabel. TODOS brancos, resultado de uma história vergonhosamente racista. O nosso novo símbolo, [que chamaremos de Teddy até o fim do texto, pra facilitar], quebrará esse costme.
  • Usa roupas alto astral: nada de vermelho, botas pesadas e gorros. O Teddy usa umas camisas com estampas de flores e calças jeans. Além de morar no Havaí.
  • Não tem nenhuma risada escrota: que eu saiba, pinguins nem mesmo dão risada.
  • Não maltrata os animais: nenhuma rena o leva correndo durante a noite de natal pra todo lugar. Manda tudo por Sedex e não tem história.
  • Ele é meigo: ou vai me dizer que pinguins não são meigos mesmo?
  • E por fim…

  • É um excelente músico: toca tanto guitarra quando bateria.

Depois de todas essa qualidades citadas, pode se preparar pro Natal do ano que vem.

Ou você vai ainda vestir uma camiseta com o Teddy estampado nela, ou eu paro de vez de olhar esses clipes non-sense do The Cure.

Add comment Dezembro 25, 2005

//Registro

Eu chorei vendo “Meu Nome é Radio“.

[...]

Só pra deixar registrado que eu também tenho sentimentos.

Ei…você…pare de rir.

Add comment Dezembro 24, 2005

//Majestade

Chegou naquele ponto em que não entendeu mais nada. Estavam o arrastando pra fora. Pra fora daquele lugar que viveu por tanto tempo. E pior que não estavam levando sua coroa nem seu cetro real. Vestia apenas o roupão de Majestade e a ponta dos seus pés arrastava no chão frio do mármore.

Enquanto passava, seus súditos acenavam. Muitos felizes, abanando como se ele tivesse apenas indo dar uma volta no pátio e logo voltasse. Outros, que ele pensou não ter convivido muito, o olhavam com medo, atrás daquelas paredes de barras.

“Só pode ser o respeito”, pensava pra sí.

Quando chegou por aquelas bandas, era um nada. Vivia com os olhos fechados, olhando para o colchão, que se sustentava acima de sua visão. Passava os dias assim. Passava os dias vivendo de lembranças e rabiscando as fotos já sujas de círculos e “x” feitos de canetas vermelhas por ele mesmo. Mas as coisas sempre mudam pra aqueles que tem o sangue azul.

Logo após aquela dor de cabeça e da escuridão, a coisa despontou por alí. Recebeu seu roupão real branco e o colocaram na sala real, sozinho, onde poderia dormir sem o medo de que algum colchão caísse sobre sua cabeça no meio da noite.

Recebia os banquetes nos horários certos e os conselheiros reais às vezes o relaxavam com chás ou injeções. Sua vida era mesmo a de um rei. Tinha tudo. Ah não ser é claro, um trono.

Desde o início reclamou. Reclamou com força. Tocou suas fotos no chão, chutou algumas paredes e esmurrou a pia. Os conselheiros tentaram o acalmar com aquele cetro estúpido e não deu certo. O súdito, que morava no humilde quarto ao lado, o presenteou com uma coroa de ferro. Mas nada substituia o seu trono. O amava mesmo nunca tendo o tido. Se imaginava acomodado nele dando ordens e arrumando toda aquela bagunça e gritaria.

Imporia o respeito naquela loucura.

Mas agora isso. O arrastavam pra algum lugar. A ponta dos pés já estava quimando com o atrito. Se animou pensando de novo no seu trono. Talvez aqueles conselheiros novos que o carregavam tivessem preparando uma surpresa. Talvez eles quissesem mostrar um trabalho, agradar vossa realeza no primeiro dia. Talvez…

E as portas do fim do corredor se abriram. O rei abriu um sorriso, que podia ser interpretado de diferentes maneiras, e todas elas erradas.

O trono estava lá. Lindo. Majestoso. Bem no meio da sala. Muitas pessoas se prostavam diante dele. Todas elas olhavam diretamente para o Rei e ele deduziu que suas expressões significavam uma mistura de assombro, inveja e raiva.

Foi caminhando lentamente até o seu sonho. Sentou-se e logo os novos conselheiros já colocavam uma também nova coroa, duas pulseiras e duas tornozeleiras. A cada novo item, um agradecimento. “Reis são superiores, mas precisam também agradecer aos servos”, pensou a Majestade, eu seu roupão branco.

Abriu então seu último sorriso e…

…nova escuridão.

- Só pega a vassoura e devolve a panela pro Jorge “Olho Pinel”. Coloca fogo no resto. Não quero ver nenhum rastro mais daquele maldito assassino de crianças. Ah. E não esquece de limpar a cadeira também. A próxima execução é amanhã.

[Texto para o 10º Concurso Maldito]

Add comment Dezembro 22, 2005

//Teste…1,2,3…Som.

Isso é apenas um teste. Não responda. Apenas fique quieto na sua cadeira até a sirene parar de tocar e o fogo for totalmente apagado pelas pistolas de alcool.

Agradeçemos a compreeensão de todos e já avisamos de antemão que aqueles braços e pernas queimados eram de um manequim. Um manequim bem realista, aliás.

Obrigado.

Add comment Dezembro 21, 2005

//Recesso

Em recesso até amanhã. Pensando em um texto sobre Decadência.

Lembrete: se nenhuma idéia aparecer, tentar algo fácil…tipo…Nascer, crescer, ter um blog, morrer.

Exemplo clássico de decadência.

Add comment Dezembro 20, 2005

//Sexy Não

Sabe, eu tinha uma enorme tese a ser aqui descrita, sobre o porque d’aquele smile do msn de raibã, ter seu nome como Smile Irritado.

Qual não é minha surpresa ao me deparar hoje com o seu nome mudado: Smile Sexy.

Poisé. Como o //Nothingness é uma casa de respeito, nenhuma tese será colocada nessas linhas. Nada de coisas sexys por aqui.

Começando pelo Bruno.

Edit: Sim. Admitimos que a semana não começou nada bem por essas bandas.

Add comment Dezembro 19, 2005

//Lembrete

Por favor. Quando eu fizer uma série pra tv, que dure 5 anos, e seja muito boa mesmo, me lembre de não convidar o Casseta & Planeta e a Regina Casé pra fazer o último capítulo.

Por favor. Não quero que eles façam o que fizeram com Cidade dos Homens.

O humor da Globo é deveras sádico. Quase ignorante.

Edit: lembrem também de não chamar Mike Newell. Pior que avacalhar totalmente com uma série pra tv, é cortar, editar, mudar, colocar na batedeira, molhar e depois jogar tudo em um moedor de carnes. Parecido com o que ele fez com o roteiro adaptado de Harry Potter e o Cálice de Fogo.

Add comment Dezembro 17, 2005

//Em Ritmo de Festa!

Venho agora neste momento relatar, emocionado, que estou vivendo um dos momentos mais felizes da minha vida. Talvez mais feliz até que quando descobri que podia abrir potes de conserva com duas batidinhas de colher na tampa. O que tenho a mostrar a vocês, pode revelar muito mais do que simplesmente mostra graficamente.

A imagem abaixo, mostra que um novo mundo é possivel. Um mundo, [olhando triunfalmente] onde todos se [/olhando triunfalmente] importam com seus irmãos. Onde todos demonstram suas opiniões através da palavra. Um mundo…onde todos nós…somos notados.

Foi exatamente isso que senti, quando presenciei a seguinte imagem.

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Nesse maravilhoso e explêndido dia, o //Nothingnnes, este digníssimo e amabilíssimo blog, recebeu um comentário. Mas não foi apenas um comentário. Foi a expressão total de um ser, que vagando pelos ilimitados limites da Web, encontrou esse cantinho sub-refugiado em uma lixeira qualquer do vosso vasto Universo, deixou sua marca.

Tão grande é a comoção que este comentário causou a equipe do //Nothingness, que resolvemos adiantar a nossa Festa de Um Ano e transforma-lá na Festa de Um Comentário no Ness. Sim!

Teremos muita música, badalação, trago à revelia, stripers gostosas dançantes, canapés, brigadeiros, cajuzinhos, show de luzes, azaração, chuvas de prata, garçons que giram garrafas no ar e barmans só de gravata borboleta [mas de bilau pequeno, afinal, isso é uma festa de respeito].

Tudo isso fechando com um show de fogos de artifício dentro do salão, preparados caseiramente por nosso editor/chefe/limpador de janelas/fogueteiro nas horas vagas: Dedeco Pangaré.

O festerê, além de todas essas atrações, vai contar com a participação de estrelas que você só vê na TV. Curta quem são elas:

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Sam, o cão mais feio do mundo, disse em entrevista coletiva que vai fazer de tudo na festa, menos entrar em um barril de tequila e depois acender um cigarro. Não quer que apaguem o fogo com um pé-de-cabra. De novo.

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Rafa: “Ãchei dugaralho”

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Rambo recebeu o convite e logo saiu para comprar um vestido.

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O pensador acima não recebeu bem a oportunidade. “Só porque sou negro. Isso é racismo!”

Esteja conosco você também! A data da festa já tem data marcada! Assim que o marcador de comentários estiver no 36, corra logo o mais rápido que puder em direção à sede da nossa empresa, que estaremos te esperando! Mas corra mesmo, com tudo. Afinal, nem nós mesmos sabemos onde fica a maldita da nossa sede.

Atenciosamente, equipe Ness.

Add comment Dezembro 15, 2005

//Gênio II

Eu já disse que Douglas Adams é um gênio?

Já?

Shit…perdi mais um post.

Edit: Mas tudo bem. Se tratando de mim, isso é mais certo que o especial de fim de ano do Roberto Carlos. Yes! Eu consegui! Agora ninguém mais me segura!

Add comment Dezembro 14, 2005

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