Tudo Igual e Blá-blá-blá
Julho 22, 2006
É ano eleitoral. As campanhas mal começaram, alguns poucos discursos foram feitos, crianças ainda nem foram alvejadas por beijos, mas a mensagem já se mostra bem clara diante dos nossos olhos: estamos perdidos. Indubitavelmente perdidos. E o alicerce dessa afirmação não é, contrariando o óbvio, os escândalos do Mensalão, os milhões desviados pelo Valérioduto ou a compra superfaturada de ambulâncias no caso dos Sanguesugas. Apesar de serem fortes argumentos, não são eles que mostram essa mensagem, mas sim a imprevisível mesmice de caráter e ideais dos candidatos.
Já é praxe. Parece que está escrito no livrinho de mandamentos: “Se não está tantando se reeleger, critique quem está no poder”. Ou seja, use de todas suas artimanhas para fazer com que acreditem que está tudo errado. O Brasil está uma bagunça, a cidade não cresce mais e aliens vão queimar tudo amanhã depois da chuva. Essa é a primeira coisa que se deve aprender para ser um político de sucesso. Concluída essa parte, faça todos acreditarem que, com você no poder, nada vai dar errado. Nem mesmo algum ser intergalático piromaniaco vai pousar por essas bandas.
É SEMPRE A MESMA COISA. MESMOS PERFIS, MESMAS PROMESSAS, MESMA SITUAÇÃO!
O pior de tudo é que eles não são parecidos apenas em suas atitudes, mas também nos seus (maus) caráteres. Roubam e se aproveitam do dinheiro obtido através do nossos suor. Desanima saber que qualquer um que chega ao pode se corrompe. Que todos nós somos, em menor ou maior escala, corruptíveis. Desanima saber que isso não muda, eleição após eleição.
Existe, em minha visão ao menos, apenas uma forma de mudar tudo isso. Um sentimento que pode colocar por água abaixo toda essa roubalheira e injustiça que cobrem nossos país com uma venda negra. É a indignação. Uma explosiva e poderosa mistura de raiva e revolta. Raivas dessas falcatruas a olhos vistos e a revolta para subjugar esses engravatados que riem da nossa e na nossa cara.
Acredite. Essa explosão indignada só não aconteceu ainda, pois um importante evento tranqüilizador ocorre de quatro em quatro anos, como de fosse um show de abertura para as eleições. É a Copa do Mundo. É quando o Brasil se mostra para todos como um páis lindo, feliz e maravilhoso. Tem sua pobreza e miséria maquiada pelo falso patriotismo das bandeiras, faixas e rostos pintados. Serve também para alimentar ainda mais a nossa falta de memória (ou seria total ausência?). Nos maravilhamos com as jogadas dos nossos astros, enquanto esquecemos das jogadas sujas de nossos craques do Planalto.
Enfim. Nada vai mudar sem um levante. Nada vai mudar enquanto declararmos guerra contra os estupros que a ética e os bons costumes hoje sofrem pelas mãos de nossos políticos. E, indo mais além, nada vai mudar enquanto não nos revoltarmos contra nossa própria burrice e ignorância.
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1.
Alemão | Julho 22, 2006 at 2:25 am
Redação que eu fiz na aula de Português. Tá soando meio “punk-anarquista-contra-tudo”, mas só assim pra que eu consiga passar na matéria.
2.
Gabo | Julho 22, 2006 at 3:54 am
Concordo. Engraçado você escrever sério. E ficou legal.
(Eu falei que ia te xingar por você ter pensado que eu ia te xingar, mas tudo bem, vá. Você não merece.)
E sim, tem erros de português. Mas poucos.
3.
marcos | Julho 22, 2006 at 3:13 pm
Sim! A favela se enfeita e deixa sua mensagem de positividade em bom e claro português (NA URL)
4.
natália | Julho 25, 2006 at 4:21 pm
Mas e quando os “punk-anarquistas-contra-tudo” vão a rua reclamar ninguém dá atenção. O povo não apóia e ainda os chama de loucos!
Mas o país vai melhorar… No dia em que os traficantes descerem do morro e pedirem desculpa pra cada drogado e cada família que perdeu alguém pras drogas…